7 de out. de 2026

O estranhamento das pequenas coisas (ou sobre se perder de si)



Não é algo que acontece de uma vez. A gente não acorda num belo dia e percebe que se perdeu; é um processo lento, feito de pequenas ausências. É continuar fazendo o café, cumprindo os prazos, respondendo às pessoas, enquanto, por dentro, a sensação é de estar só assistindo à própria vida do lado de fora.

São músicas que trazem lembranças de um dia em que fomos felizes, cheiros que relembram momentos e aquela pergunta silenciosa: "Quando foi que eu esqueci tudo isso?". É se olhar no espelho esperando encontrar olhos gentis, sorriso leve e espontâneo, traços de uma juventude sem preocupação e dar de cara com olheiras, olhar cabisbaixo e marcas de cansaço, de uma vida corriqueira sem tanta beleza. Infelizmente, esse é o sabor da vida adulta. 

Minha vida mudou de cor quando entrei aos vinte e tantos anos, tudo pareceu estar tão sério, tão seco, e a necessidade de um trabalho se fez constante. E, de repente, minha vida se tornou aquele trecho "Eu estava procurando por um emprego e então eu encontrei um emprego, e os céus sabem que agora eu estou infeliz". (e eu te juro, não é uma reclamação, eu AMO trabalhar na creche, com crianças)

Isso não é uma reclamação sobre a vida adulta, ou sobre as responsabilidades, é quase um desabafo de alguém que se perdeu. Me disseram, muitas vezes, que aos vinte e cinco o córtex pré-frontal estaria finalmente pronto e, com isso, eu teria certezas, conselhos impecáveis e viveria o meu auge! Mas tudo o que eu consegui foi esquecer o que eu gosto de fazer: será que eu gosto de pintar? Desenhar? Cozinhar ou, talvez, eu realmente goste de escrever. 

E eu te juro que tentar resgatar quem você realmente é quando a rotina engole tudo o que você ama é brutalmente frustrante. Como eu encaixaria uma rotina onde eu faço journaling após oito horas de uma jornada de trabalho e tendo que conciliar com a limpeza da casa? Ou, então, como eu conseguiria pintar depois de oito horas de trabalho com mais duas horas de transporte de ida, três horas de faculdade e mais duas horas para voltar para casa? A minha leitura estaria fadada a ser feita APENAS enquanto estou em transporte público ? Quando vou poder fazer uma pipoca doce e sentar em frente à televisão e assistir a horas e mais horas de um desenho bobo?

É estranho ter que se programar o tempo todo para, quem sabe, poder ler meia hora antes de dormir, ver um ou dois episódios de uma série, acho que o cúmulo da estranheza é nós, mulheres, precisarmos separar uma noite inteira ou um dia inteiro para poder tomar um banho "premium", um banho com CALMA! E são nessas de precisar se planejar que vamos deixando de lado um pouco do "eu".

"Eu quero ler, mas estou cansada demais agora, amanhã eu leio" e não lê. "Quando chegar em casa escrevo para aliviar a cabeça" e não escreve. "Vou pintar um pouco para distrair" e não pinta. "Vou ver algo com a minha mãe" e, adivinha? Não vê!

É nessas banalidades anuladas que vamos jogando fora, aos poucos, pedaços do "eu". Abandonando gostos que eram nossos maiores traços de personalidade até virar apenas um grande eco do que a gente costumava ser. E tentar se curar disso, romantizar a vida, se reconstruir dói. É uma dor silenciosa de quem não tem todo o tempo do mundo como uma criança.

4 de out. de 2026

Se deus me chamar eu não vou!








 

"Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos"

Faz muito tempo que eu não me sento para escrever algo, e especificamente, resenhar alguma coisa sem que seja um texto para a faculdade. Cheguei a acreditar fielmente que até perdi a habilidade de fazer isso por diversão, sem ser algo tão direto como os professores pedem. Mas, lendo "Se deus me chamar eu não vou" senti a necessidade de compartilhar essa leitura com uma amiga, de modo íntimo.  

O que você faria se fosse uma menina de onze anos em banho-maria que precisa aprender a lidar com: estar crescendo, não ter amizades, vergonha de fazer cocô, o banho-maria e um relacionamento poliamoroso? É exatamente o que vamos acompanhar a Maria Carmen descobrir enquanto ela tenta escrever seu livro antes que complete doze anos. 

É incrível o quanto uma garotinha pode ser tão observadora e ingênua ao mesmo tempo, sabe? Enquanto ela está ali, narrando fielmente cada pensamento, cada ação sua e de outras pessoas, enfrentando dilemas sobre o seu "crush" ser ou não ser gay, também vai aprendendo sobre a solidão, sobre o luto, os adultos e, por vezes, te leva de volta a essa sensação de ser criança descobrindo o mundo e a si mesma. É olhar o peso das coisas com outros olhos, infantis. 

É uma criança solitária, o que me fez sentir uma certa proximidade, tentando se encaixar num mundo moldado por adultos e para adultos. E quer, de todo modo, se sentir amada. Já aos onze anos tem medo de nunca se relacionar e precisar ser uma prostituta para fazer o que homens e mulheres fazem por amor.

O que ficou marcado na leitura:

  • A voz narrativa: Maria é estranhamente hilária e dramática, a escrita capta aquele olhar infantil que consegue perceber tudo ao seu redor mesmo que não entenda nada.
  • A melancolia do cotidiano: Temas pesados são tratados de jeitos sutis, com a honestidade de uma criança e sem apelação.
  • A urgência de colocar no papel: A necessidade da personagem de registrar a própria existência.

É uma leitura rápida, que consegue te tirar boas risadas e momentos de reflexões, alguns suspiros também. Sinto que é algo que eu sempre vou precisar revisitar.

Espero que leiam e que gostem! me contem

o que acharam!

beijinhos,

                 Nana! 

Começos

Gostaria muito de ser boa em começar as coisas, juro! Mas, Deus me fez brasileira e procrastinadora então essa postagem tá salva em rascunho a muito, muito tempo e eu só resolvi tirar do papel agora porque vi uma movimentação, no tiktok, de que a blogosfera está voltando e eu só consegui pensar na nostalgia GOSTOSA de voltar a editar HTMLs, procurar tutoriais de como modificar algo, foi basicamente voltar para a minha pré adolescencia. Esse blog nasce com o proposito de ser apenas mais um hobbie porque sim, eu não tenho milhares de hobbies e tenho muito tempo livre sobrando.  

Eu poderia fazer uma postagem me apresentando, bem bonitinha, mas prefiro deixar que você me conheça ao decorrer das postagens mas se você quiser muito, muitoo mesmo tem a aba da "a autora" ali em cima que te dará algumas informções básicas.  Além dessa aba tem, também, a aba de gavetinhas que será onde eu deixarei alguns links importantes com o passar do tempo mas, que agora, está vazio porque ainda não tenho nada de relevante para falar.