"Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos"
Faz muito tempo que eu não me sento para escrever algo, e especificamente, resenhar alguma coisa sem que seja um texto para a faculdade. Cheguei a acreditar fielmente que até perdi a habilidade de fazer isso por diversão, sem ser algo tão direto como os professores pedem. Mas, lendo "Se deus me chamar eu não vou" senti a necessidade de compartilhar essa leitura com uma amiga, de modo íntimo.
O que você faria se fosse uma menina de onze anos em banho-maria que precisa aprender a lidar com: estar crescendo, não ter amizades, vergonha de fazer cocô, o banho-maria e um relacionamento poliamoroso? É exatamente o que vamos acompanhar a Maria Carmen descobrir enquanto ela tenta escrever seu livro antes que complete doze anos.
É incrível o quanto uma garotinha pode ser tão observadora e ingênua ao mesmo tempo, sabe? Enquanto ela está ali, narrando fielmente cada pensamento, cada ação sua e de outras pessoas, enfrentando dilemas sobre o seu "crush" ser ou não ser gay, também vai aprendendo sobre a solidão, sobre o luto, os adultos e, por vezes, te leva de volta a essa sensação de ser criança descobrindo o mundo e a si mesma. É olhar o peso das coisas com outros olhos, infantis.
É uma criança solitária, o que me fez sentir uma certa proximidade, tentando se encaixar num mundo moldado por adultos e para adultos. E quer, de todo modo, se sentir amada. Já aos onze anos tem medo de nunca se relacionar e precisar ser uma prostituta para fazer o que homens e mulheres fazem por amor.
O que ficou marcado na leitura:
- A voz narrativa: Maria é estranhamente hilária e dramática, a escrita capta aquele olhar infantil que consegue perceber tudo ao seu redor mesmo que não entenda nada.
- A melancolia do cotidiano: Temas pesados são tratados de jeitos sutis, com a honestidade de uma criança e sem apelação.
- A urgência de colocar no papel: A necessidade da personagem de registrar a própria existência.
É uma leitura rápida, que consegue te tirar boas risadas e momentos de reflexões, alguns suspiros também. Sinto que é algo que eu sempre vou precisar revisitar.

Espero que leiam e que gostem! me contem
o que acharam!
beijinhos,
Nana!
Adorei a resenha que escreveu. E, quer saber? bateu uma saudade de mim mesmo quando era bem assim: inseguro, inexperiente, medroso, pronto para me apaixonar por qualquer menina que olhasse na minha direção (mesmo que estivesse olhando para alguém ou alguma coisa atrás de mim).
ResponderExcluirOi, Jota! Também sinto saudades de quando eu era ingênua e tinha alguma esperança no ser humano! Vivo de nostalgia desta época.
ExcluirCaramba que interessante!!
ResponderExcluirEu já tinha ouvido falar desse livro, mas não sabia do que se tratava. Gostei de ter um gostinho da história hehe. Parece bem legal!
https://www.heyimwiththeband.com.br/
É beeem legal! Tenta ler, você vai terminar em uma tarde e querer mais!
ExcluirOi Nana! Ótima resenha, continue escrevendo. Essa sua descrição me lembrou muito um outro livro que li, chama A Lista de Coisas Suspeitas. É muito legal quando a narração vem da visão de uma criança, toda essa parte da ingenuidade e curiosidade. Vou por na lista de leitura!
ResponderExcluir𝓯𝓲𝓷𝓪 𝓵𝓲𝓽𝓮𝓻𝓪𝓽𝓾𝓻𝓪
Oii, Emília! Obrigada. Coloque e quando ler me diga o que achou! Vou adicionar o seu na lista de leitura também, pesquisei e adorei a proposta.
Excluireu amo, amo, amo, amo esse livro
ResponderExcluirA menina de 11 anos está envolvida em "poliamor"? Que precoce...!!!!
ResponderExcluir