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4 de out. de 2026

Se deus me chamar eu não vou!








 

"Acho que existem crianças mais solitárias que os velhos"

Faz muito tempo que eu não me sento para escrever algo, e especificamente, resenhar alguma coisa sem que seja um texto para a faculdade. Cheguei a acreditar fielmente que até perdi a habilidade de fazer isso por diversão, sem ser algo tão direto como os professores pedem. Mas, lendo "Se deus me chamar eu não vou" senti a necessidade de compartilhar essa leitura com uma amiga, de modo íntimo.  

O que você faria se fosse uma menina de onze anos em banho-maria que precisa aprender a lidar com: estar crescendo, não ter amizades, vergonha de fazer cocô, o banho-maria e um relacionamento poliamoroso? É exatamente o que vamos acompanhar a Maria Carmen descobrir enquanto ela tenta escrever seu livro antes que complete doze anos. 

É incrível o quanto uma garotinha pode ser tão observadora e ingênua ao mesmo tempo, sabe? Enquanto ela está ali, narrando fielmente cada pensamento, cada ação sua e de outras pessoas, enfrentando dilemas sobre o seu "crush" ser ou não ser gay, também vai aprendendo sobre a solidão, sobre o luto, os adultos e, por vezes, te leva de volta a essa sensação de ser criança descobrindo o mundo e a si mesma. É olhar o peso das coisas com outros olhos, infantis. 

É uma criança solitária, o que me fez sentir uma certa proximidade, tentando se encaixar num mundo moldado por adultos e para adultos. E quer, de todo modo, se sentir amada. Já aos onze anos tem medo de nunca se relacionar e precisar ser uma prostituta para fazer o que homens e mulheres fazem por amor.

O que ficou marcado na leitura:

  • A voz narrativa: Maria é estranhamente hilária e dramática, a escrita capta aquele olhar infantil que consegue perceber tudo ao seu redor mesmo que não entenda nada.
  • A melancolia do cotidiano: Temas pesados são tratados de jeitos sutis, com a honestidade de uma criança e sem apelação.
  • A urgência de colocar no papel: A necessidade da personagem de registrar a própria existência.

É uma leitura rápida, que consegue te tirar boas risadas e momentos de reflexões, alguns suspiros também. Sinto que é algo que eu sempre vou precisar revisitar.

Espero que leiam e que gostem! me contem

o que acharam!

beijinhos,

                 Nana!